quarta-feira, 15 de maio de 2013
Aduzir os borrachos
Eu acho particularmente esta técnica de molhar os borrachos em água com sabão muito importante, para o caso de os mesmos nunca terem estado fora do pombal e já sejam capazes de voar com muita facilidade. Nunca é demais prevenir e é muito provável que se percam alguns borrachos. Se for possível começar a colos na entrada ainda muito jovens. é a maneira mais fácil e segura. o segredo é não esperar muito. Dez dias são mais do que suficientes caso os borrachos tenham nascido na sua casa logo que os mesmos sejam separados dos pais podemos começar com o reconhecimento do ambiente circundante ao pombal.
EQUÍVOCOS
Realmente, mesmo as coisas que sempre pensamos ser verdadeiras, podem dar origem a incompreensões, a equívocos, também no nosso desporto. É por essa razão que os columbófilos devem estar sempre a interrogar-se sobre as mais diversas questões. Quando julgamos que já chegamos à altura de que não temos nada para aprender, pode ser o princípio do fim.
A maior parte daquilo que sabemos é baseado na nossa própria experiência ou naquilo que já lemos e estudamos, mas os conhecimentos obtidos através da própria experiência são os mais valiosos e duradouros.
Para além disso, praticamos um desporto que está sempre em evolução. Aparecem novos medicamentos, novas doenças, novos métodos, novos campeões, etc.. Tudo isto obriga-nos a pensar e a reconsiderar o nosso modo de actuar.
E. COLI
Na Europa Ocidental é uma doença que também é conhecida por “doença dos pombos novos” (nos média, na imprensa escrita está referida como adeno/coli) e tem sido uma autêntica praga há mais de uma década.
Há três anos atrás apareceram boas notícias, ou melhor pareciam boas notícias.
Escreveu-se que a doença deixava de ser um grande problema, até eu mesmo disse isso, os columbófilos estavam felizes porque o pesadelo já tinha passado à história. Infelizmente, estávamos todos enganados.
Na Primavera deste ano (2004), a adeno/coli atacou novamente muitas colónias, algumas de forma bastante grave e séria. Agora, os columbófilos estão preocupados e perguntam se há qualquer coisa que possam fazer para evitar um surto dessa doença. Infelizmente, a resposta é negativa. Não há nada que possa proteger os pombos com segurança.
A boa notícia, é que há caminhos que podem reduzir as hipóteses dos pombos ficarem doentes. Há tempos atrás tinha compilado uma série de medidas a tomar que devem ser consideradas como um conselho.
Como reduzir os riscos
a) Se os pombos estiverem infestados de tricomonas durante todo um ano pode transformar-se numa perigosa infecção, fica assim aberta uma porta a toda a espécie de doenças, especialmente… E. coli.
b) Vacinar os pombos novos contra a paramixovirose o mais cedo possível. No passado disse-se que esta vacina só deveria ser aplicada nos pombos adultos, mas os cientistas mudaram de ideias.
Deve ser aplicada aos borrachos com a idade de quatro semanas e, realmente, os borrachos vacinados nessa idade ficam menos vulneráveis.
c) Parece um conselho estranho, mas não é conveniente ter cuidados de higiene muito frequentes (quando há indícios de existência de E. coli). Pombos que vivem num pombal que é limpo e desinfectado frequentemente são afectados com mais facilidade pela E. coli. É um facto que foi provado por experiências e testes efectuados na Alemanha.
d) Ter cuidado com o uso de vitaminas. E. coli ataca o fígado e aos pombos que se administram muitas vitaminas, o seu fígado também pode ser afectado.
Podem perguntar porque razão o E. coli já é um grande problema na Europa Ocidental e não o é em alguns países e regiões como a África do Sul, Escócia, etc. Muito provavelmente é pelo abuso de antibióticos de todas as espécies. Nos países onde os medicamentos se usam pouco ou nada, não se conhecem determinadas doenças.
O uso de cortisona, em particular, parece diminuir as resistências naturais.
e) Evite o stresse e ainda mais o excesso de pombos por pombal. No passado muitos veterinários assumiam que o vinagre na água de bebida dado como preventivo, como ácido, impedia o desenvolvimento das bactérias. O vinagre tornou-se popular mas… é agora considerado como ineficaz.
VENCEDORES
Quando um pombo ganha um concurso, naturalmente os columbófilos perguntam quantos pombos foram encestados. É uma pergunta normal, mas a assunção de que um vencedor dum concurso em que participaram por exemplo 10000 pombos é melhor que um outro que venceu a 500 pombos, é errada.
Para vencer há dois factores que desempenham um papel importante.
a) As condições atmosféricas.
b) A dureza da competição. Devido às circunstâncias do tempo, há muitos pombos que não têm grandes hipóteses de vencer como já expliquei num dos meus artigos anteriores.
Se um concurso é efectuado sob forte vento de oeste, é uma missão impossível para os pombos que vivam a oeste. Conheço um clube onde um columbófilo encesta 150 ou mais pombos em cada prova, um outro colega do clube encesta mais de 100 e há um outro em circunstâncias parecidas. Assim, pode acontecer que num concurso com 700 pombos, possam pertencer a sete ou 10 columbófilos, no máximo. Esses columbófilos encestam tudo quanto possa voar. Não se importam se os pombos estão em boas condições físicas ou não, ou se têm qualidade ou não. Nalgumas regiões é tudo completamente ao contrário deste exemplo. Há columbófilos que apenas encestam os seus melhores pombos e em óptimo estado de saúde. Pode acontecer que participem 200 colónias com a totalidade de 700 pombos.
Naturalmente, há nestes dois exemplos uma história completamente diferente. A competição entre oito columbófilos com 700 pombos, não é a mesma coisa que 200 columbófilos com a mesma quantidade de pombos.
Pombos Ás
E que dizer dos Pombos Ás em termos nacionais?
Será o Pombo Ás Nacional da Holanda o melhor pombo da Holanda?
Pode não ser o caso por diversas razões. Mais uma vez, será mais fácil obter grandes resultados em áreas onde a competição é mais fraca e mesmo em muitas áreas da Holanda e Bélgica onde os columbófilos não têm hipótese nenhuma de ter um Pombo Ás Nacional, simplesmente pelo facto de nessas áreas não existirem pombos suficientes nos concursos.
Por vezes acontece o mesmo onde a competição é forte e onde os columbófilos encestam os seus melhores pombos. Em 2001, o belga Boeckx tinha um pombo que ganhou sete primeiros e, naturalmente, um pombo não pode fazer melhor do que vencer os seus competidores. “Este pombo deveria ser um Pombo Ás”, penso, já que era um pombo vencedor. Boeckx, no entanto, tinha as suas dúvidas, não lhe era possível ir a concursos com muitos participantes e ele estava certo. E o pombo classificou-se em 4º.
O facto é que um pombo que se classifica em 5º lugar contra 2100 pombos tem melhor coeficiente que outro que ganhe um primeiro entre 400 pombos. Para além disso há outro importante ponto a considerar: Para ganhar um título desses na Holanda ou na Bélgica, os columbófilos têm que tomar a iniciativa de enviar os resultados, mas… nem todos fazem isso. Alguns columbófilos já são idosos, outros não lêem uma revista ou um jornal columbófilo, não conhecem os regulamentos ou… simplesmente não estão interessados.
Campeões Nacionais
Para os Campeonatos Nacionais (resultados por columbófilo) é a mesma história. Onde a competição é fraca, é mais fácil distinguir-se e (mais uma vez) muitos columbófilos não enviam os seus resultados para as Federações. Na Holanda o computador faz todo o trabalho, pode ser analisado e demonstrado todos os resultados das diversas formas de competição (associações, blocos, etc.). No norte da Holanda há concursos em que participam 35000 ou mais pombos, mas no sul 1000 pombos participantes já é um bom número.
Um columbófilo que ganhe o 1º, 2º e 3º faz pior coeficiente do que um outro que ganhe o 13º, 24º e 29º contra 15000 pombos. O primeiro pode não ter hipóteses de não competir com mais pombos, nem pode conseguir melhores resultados.
Na Bélgica há qualquer coisa diferente: De forma a dar hipóteses aos “pequenos columbófilos” que possuem poucos pombos, só os primeiros dois designados contam. Mas o que é que os columbófilos que possuem grandes colónias fazem? Encestam os seus pombos em diferentes colectividades, semana a semana. Nestas circunstâncias, um columbófilo que tenha poucos pombos também pode fazer bons resultados.
Verdade ou não?
Nomeadamente os columbófilos novos pensam que cruzar um bom pombo de fundo com um pombo de velocidade dá automaticamente um bom pombo de meio-fundo. Pensam também que pode conseguir-se pombos de fundo mais rápidos, cruzando-os com bons pombos de velocidade. Estão enganados em ambos os casos. Os pombos de fundo devem ser acasalados com pombos de fundo e pombos de velocidade com pombos de velocidade. É verdade que há casos de sucesso. O “Patrick” do Vanhée era um meio Janssen… é um exemplo e há mais, mas… são excepções.
Uma Especialidade
Na Europa Ocidental os campeões especializam-se na Velocidade, no Meio-Fundo ou no Fundo. Fazem uma opção, porque sabem que é a única maneira consistente de conseguir o sucesso. Aqueles que desejam ser campeões em todas as distâncias acabam por falhar, numa e noutra distância, tal como acontece noutros desportos.
Entretanto, o fundo vai tornando-se cada vez mais popular, mas o maior número de praticantes continua a ser de velocidade e meio-fundo. Diz-se que 80% dos belgas nunca vão mais longe do que ±100 kms. É mau para eles porque a longa distância chama mais a atenção dos meios de comunicação social.
É por isso que é errado pensar que os nomes que aparecem nos jornais e na Internet são nomes de campeões.
Fama e qualidade
O que pretendo dizer é que muitos campeões não conseguem a publicidade que merecem por não encestarem nos nacionais (longa distância), o que nos leva à conclusão de que, no nosso desporto, a fama não quererá dizer que é bom.
Por vezes, mostro resultados de concursos realizados no estrangeiro, não para menosprezar alguns nomes célebres, mas para que abram os olhos. Os seus olhos não só se abrem, mas também vêem mais longe em face da verdade. O seu problema é que para serem conhecidos dependem dos média, da imprensa escrita e em muitos casos os jornalistas não são neutrais ou objectivos, na Holanda, Bélgica ou noutros países.
Alguns jornalistas são conhecidos por “comissionistas”. Se fazem alguma reportagem sobre determinada colónia, recebem uma comissão sobre os pombos vendidos.
Finalmente, também há muitos campeões que rejeitam qualquer publicidade. O motivo é que esses não desejam ser visitados pelos columbófilos e também não estão interessados em dinheiro. Mas, é precisamente nessas colónias, na maior parte das vezes, que se encontram os melhores pombos e onde se podem comprar alguns craques a preço muito baixo.
Como encontrar esses columbófilos e obter alguns desses pombos? Naturalmente, os que moram por perto sabem bem onde encontrá-los.
Depois de lerem esta crónica talvez fique mais claro porque nem sempre há êxito quando se compram pombos. Não há informação válida e segue-se o pior caminho.
© Ad Schaerlaeckens
O REGRESSO DAS FÊMEAS
Nos anos mais recentes as mulheres lutaram e conseguiram a igualdade, em alguns casos até a ultrapassaram; com os seus cremes, os seus óleos, os seus tratamentos faciais, os silicones… tudo para ter os homens na palma da mão. Foi então que surgiu o Viagra. São especialmente as mulheres mais idosas que lamentam o aparecimento da pílula que resolve o problema dos homens. Até então podiam dormir descansadas ou ver a sua telenovela preferida quando os seus maridos regressavam do trabalho, uma vez que estes sentavam-se no sofá, completamente exaustos. O Viagra modificou dramaticamente as vidas de muitas mulheres. Deixaram de ser o sexo superior.
Alteração
Muitos homens que foram constantemente humilhados no passado ficam agora impacientes esperando que as suas mulheres regressem do centro comercial. Agora já podem mais uma vez abraçar o mundo desde a introdução do Viagra.
O facto curioso é que com os pombos passa-se exactamente o contrário. No caso da columbofilia são as fêmeas que regressam em força. Até aqui os columbófilos encestavam na maioria machos, especialmente nos concursos para pombos adultos, uma vez que consideravam os machos mais fortes e resistentes. Até que alguns columbófilos começaram a obter resultados extraordinários com as suas fêmeas. Columbófilos famosos, como por exemplo Verkerk, VD Merwe, Geerts, Van Hove Uytterhoeven, Engels, Elsacker, entre outros, não dão ponto sem nó e a aposta nas fêmeas não aconteceu por acaso. Foi o aparecimento de campeãs como a “Paula” de Remi de Mey e a ainda mais espectacular “Fieneke” do falecido Flor Vervoort que proporcionaram a viragem. Ambas estas fêmeas conseguiram resultados tão fantásticos que abriram os olhos a muito boa gente. Foi um acontecimento marcante para a columbofilia belga e holandesa. Todos sabiam que nos concursos de borrachos as fêmeas eram melhores, mas nos adultos todos pensavam o contrário.
Os borrachos fêmeas são melhores
Será mesmo verdade que os borrachos fêmeas são melhores que os borrachos machos? Não existe margem para dúvidas!
No meu pombal existe um livro em que registo os resultados desportivos dos atletas ao longo dos anos, dou-me até ao trabalho de elaborar gráficos que me ajudam a perceber melhor os altos e baixos de cada atleta da minha colónia. Devo confessar que não leio estes registos com muita frequência uma vez que me entristecem. O livro revela que na minha pequena cidade apenas se mantêm 35 dos 120 columbófilos de há uns anos atrás. No passado existiam quatro colectividades, agora apenas uma; no passado apostava-se muito dinheiro nos concursos, agora o dinheiro voou. Aparentemente os columbófilos gastam o seu dinheiro na ração, uma vez que as colónias aumentaram significativamente o número de efectivos. Na maioria dos casos, este aumento no número de pombos deve-se ao facto de pensarem que desta maneira aumentam as probabilidades de aparecer um craque, o que ajuda na venda dos seus pombos.
Não sou o único que regista o dia-a-dia da colónia, conheço um columbófilo que o faz com grande precisão e detalhe. Escreve TUDO e depois elabora estatísticas, gráficos e percentagens em todas as variantes possíveis. Toda esta informação diz-lhe que na última década ganhou 52 concursos de borrachos, 38 dos quais com fêmeas. O seu estudo dedicou-se também aos Pombos Ás… em que dois terços deles eram fêmeas! Descobriu ainda que nos últimos 207 concursos de borrachos, 149 foram ganhos por fêmeas. Nos Nacionais de grande prestígio, como por exemplo Orleans e Bourges, o atleta vencedor é, em muitos casos, uma fêmea.
Com tudo isto quero dizer que as fêmeas marcam melhor… é um facto provado, pelo menos nos concursos de borrachos.
Sem explicação
Não existe apenas uma diferença nos resultados. Ninguém sabe o porquê, mas tanto na Holanda como na Bélgica os machos perdem-se mais facilmente que as fêmeas. Um facto muito penalizante para aqueles que só voam machos viúvos, uma vez que, ao perderem os machos borrachos e de ano, podem comprometer as campanhas futuras.
As fêmeas podem ser jogadas de duas maneiras; ao natural ou à viuvez. Se optarmos pelo natural, temos que encontrar a melhor posição; em ovos acabados de pôr, em ovos de ±10 dias, em ovos a picar, em borrachos pequenos ou mais velhos? Não existem respostas precisas para esta questão, uma vez que difere de pombo para pombo. Algumas marcam melhor com ovos acabados de pôr; para outras a sua posição favorita é quando estão a alimentar um borracho, mas a maioria marca melhor com borrachos de seis a 12 dias. Esta é a razão pela qual a maioria dos especialistas no jogo de borrachos procura ter a maioria dos seus voadores nesta posição aquando dos concursos mais importantes. As hipóteses de sucesso aumentam em relação directa com o número de fêmeas que se encestam na posição referida.
Em certas regiões da Holanda e Bélgica é tradicional jogarem as fêmeas de ano ao natural, no entanto no que diz respeito a adultas este sistema já está há muito tempo ultrapassado. As melhores performances são registadas com fêmeas adultas jogadas na viuvez. O mais estranho é que o apogeu desportivo das fêmeas acontece com a idade de um ano, quanto mais velhas menos capacidade têm de marcar no top.
Vantagens
A razão pela qual as fêmeas novas marcam melhor que os machos da mesma idade é difícil de explicar, no entanto sabemos que existem diferenças consideráveis entre os dois sexos, para além claro de uns serem machos e outros fêmeas.
• Os machos lutam nos cestos durante a viagem até ao local de solta. É pois normal que regressem com olhos ou narinas picadas e penas partidas. As lutas provocam desgaste de energia que deveria ser poupada para o voo de regresso a casa. Como as fêmeas são mais calmas, chegam ao local de solta muito mais relaxadas e com os níveis de energia quase a 100%.
• As fêmeas podem ser encestadas com mais frequência do que os machos (quanto mais vezes melhor), uma vez que parecem recuperar melhor dos esforços; é normal os machos precisarem de descansar um fim-de-semana para que o seus níveis competitivos se mantenham elevados.
• As fêmeas jogadas na viuvez voam intensamente nos treinos diários. Quando estão em super forma alguns columbófilos nem arriscam a soltar à tarde com medo que estas não regressem a tempo de pernoitar no pombal. Se forem jogadas ao natural é muito difícil fazê-las voar à volta do pombal, é por isso que se torna necessário efectuar treinos em linha, o que pode trazer um grande inconveniente.
Desvantagens
Voar com fêmeas não são só vantagens, também surgem alguns problemas. O primeiro são os acasalamentos entre as próprias fêmeas, e nesse caso as hipóteses de marcar no top baixam consideravelmente; de facto as fêmeas com tendência a acasalarem-se entre si não podem, nem devem ser jogadas na viuvez. Elas não devem gostar umas das outras, bem pelo contrário!
Se foram jogadas ao natural também pode acontecer que estejam prestes a pôr na altura do concurso e, nesse caso, têm de ficar em casa. As naturalistas só conseguem manter um bom estado de forma durante cerca de três semanas, ou seja quando estão com ovos de pelo menos 10 dias e as duas semanas seguintes.
É importante partirmos do princípio que existem fêmeas que não se adaptam ao natural e outras à viuvez. Por outras palavras, umas marcam melhor quando jogadas ao natural e outras quando jogadas à viuvez. As fêmeas que não saem do ninho enquanto o seu macho está ausente, são as melhores para jogar ao natural.
No que diz respeito à viuvez, temos que evitar as fêmeas que se acasalam facilmente. Neste esquema, deveremos preferir voadoras calmas que não se mostrem ansiosas por se acasalarem entre si ou com o primeiro macho que lhe aparecer à frente.
Resumo
Com tudo o que disse até aqui, podem estar a pensar que é melhor ter boas fêmeas do que bons machos. Isto seria verdade se a columbofilia fosse apenas participar nos concursos, no entanto o nosso desporto envolve muito mais do que isso. Dos bons machos poderemos tirar muitos filhos, enquanto que das fêmeas poderemos tirar no máximo 10 borrachos por ano e como todos sabemos a criação é bem mais importante do que os concursos em si.
Vamos terminar salientando alguns pormenores… a) Até à idade de um ano, as fêmeas marcam muito melhor que os machos, quer sejam jogadas ao natural ou à viuvez. b) As fêmeas não se adaptam a qualquer sistema. Se optarem pela viuvez, devem escolher as mais calmas. As que se acasalam facilmente entre si não servem para a viuvez. c) A desvantagem de jogar fêmeas no ninho (natural) é que são extremamente difíceis de treinar à volta do pombal; para além disso só se manterão em super forma durante um reduzido período de tempo, digamos duas a três semanas no máximo. d) As fêmeas adultas também têm condições para marcar no top, mas este tipo de marcações acontece mais com a idade de um ano e jogadas à viuvez.
É fácil de perceber que os especialistas em jogar pombos novos preferem as fêmeas, enquanto que os columbófilos que gostam da viuvez com pombos adultos preferem os machos.
Muitas vezes perguntam-me como se pode detectar se um borracho de quatro semanas é macho ou fêmea? Um grande número de entusiastas procura a resposta a esta questão na forma da cabeça, nas asas, no tamanho da própria ave e até nos dedos das patas. É tudo uma grande treta. Nunca poderemos ter a certeza do sexo de borrachos dessa idade. No que diz respeito aos humanos, são mais fáceis de distinguir, especialmente depois do lançamento do Viagra…
© Ad Schaerlaeckens
REGRAS PARA RELEMBRAR
As 10 regras dos campeões e os 10 erros de todos os outros
As 10 regras dos campeões e os 10 erros de todos os outros
Por vezes perguntam-me sobre as diferenças entre os columbófilos campeões e os não campeões. Por vezes perguntam-me tantas coisas.
O meu modo de vida é praticar a columbofilia e escrever sobre ela, conheço pessoalmente, por isso, quase todos os campeões belgas e holandeses, assim como os seus pombos, os seus pombais e os seus métodos. Fruto da minha experiência compilei uma série de regras que colocam os columbófilos num espaço muito limitado… o topo das classificações.
Ter bons pombos não é suficiente para marcar bem, também é necessário que se sintam bem no pombal e… que sejam tratados em conformidade. Marcar bem parece tão fácil para os campeões, no entanto os não campeões pensam muitas vezes que a columbofilia está cheia de ciladas. Foi por esta razão que decidi realizar um resumo dos factores que podem fazer toda a diferença entre vencer e perder… algumas regras para seguir e relembrar. Não foram escritas para os campeões, penso que não encontrarão nada que ainda não saibam, mas constituem uma leitura preciosa para todos aqueles que tentam chegar à fama.
Regra Um: O factor mais importante para se ter sucesso em columbofilia é cultivar bons pombos. Parece simples, mas acreditem que muitos columbófilos não se preocupam muito com isso. Estes pensam que os sucessos estão escondidos no interior de uma frasco mágico, acreditam em segredos que muitas vezes não existem e suspeitam até que os campeões têm segredos que não querem revelar ou partilhar. No entanto, se os campeões têm um segredo, este é o valor dos seus pombos!
Regra Dois: Os bons pombos não estão apenas nos pombais dos nomes sonantes, bem pelo contrário. A maioria destes devem a sua fama a pombos que adquiriram a columbófilos praticamente desconhecidos. Um pombo não é obrigatoriamente bom se tiver o pedigree dos Janssen, Van Loon, Toye ou qualquer outro columbófilo famoso. O que a maioria dos praticantes não quer saber é que até os melhores columbófilos do mundo criam mais pombos maus do que bons. Acredito que alguns vendedores enganem os compradores, mas o simples facto de um pombo que tenham comprado a um campeão não tenha dado os resultados esperados, não quer dizer necessariamente que tenham sido enganados.
Regra Três: Esqueçam todas as teorias relacionadas com os olhos. Os belgas e holandeses riem-se dessas conversas e vocês devem fazer o mesmo. O facto de não existir uma palavra em holandês para definir eye sign (teoria do olho) é esclarecedor. Os cientistas belgas dizem com frequência que a teoria dos olhos é uma treta, e essa deve ser a vossa opinião sobre aqueles que afirmam que um pombo é bom ou mau reprodutor/voador apenas pela observação do seu olho. O que costumo dizer é… “se querem comprar bons pombos não olhem para os olhos dos pombos, mas sim para os do columbófilo”. Será honesto? Será que procura vender qualidade?
Regra Quatro: Se me dessem a escolher entre encestar um bom pombo fora de forma e um pombo médio em forma, escolheria este último. É verdade que os bons pombos alcançam a forma com mais facilidade que todos os outros. Por isso, a saúde natural é também uma qualidade! Eliminem os pombos da vossa colónia que andem sempre adoentados. É claro que os pombos têm que se sentir bem no pombal. Como querem que os atletas atinjam a forma se os colocarem em instalações com problemas de temperatura, correntes de ar ou humidade?
Regra Cinco: Os campeões sabem como conduzir os bons pombos à forma, um factor decisivo para vencer, uma vez que, como já dissemos, ter bons pombos não chega. No entanto, não pensem que a forma vem empacotada dentro de uma embalagem. Procurem dar o mínimo possível de medicamentos. Estes são desenvolvidos para curar humanos e animais que se encontrem doentes. Não foram desenvolvidos para transformar pombos médios em craques. A “garrafa mágica” que faz campeões não existe. Porque será que alguns veterinários columbófilos não marcam nada? E porque razão os campeões gastam dinheiro em pombos de qualidade se sabem como tornar maus pombos em vencedores?
Regra Seis: O pedigree é importante, mas não passa de uma folha de papel. Muitos columbófilos atribuem-lhe demasiada importância, um facto que os belgas e holandeses não percebem muito bem. Se os pedigrees pudessem voar… Um pombo de boa origem oferece mais garantias. Os columbófilos que dão muito valor aos pedigrees só estão a pedir para serem enganados. Temos que partir do princípio que nem todos os exportadores e importadores de pombos são homens sérios. É um facto que um bom pombo passa a valer muito mais se no seu pedigree aparecerem nomes sonantes. Os únicos responsáveis são os columbófilos que valorizam em demasia os pedigrees. Se os pedigrees fossem feitos antes dos borrachos serem anilhados, antes de ganharem um concurso, muitos deles seriam diferentes do que são.
Regra Sete: Há treinos e treinos… pombos que voam sempre à volta do pombal não estão a ser bem treinados. Quando chega a hora de abrir a janela, todos os pombos devem estar já em alerta, prontos para sair do pombal provocando um barulho enorme. Sinais positivos é quando o pombal parece que está a vomitar pombos e estes voam logo para longe em linha recta e a toda a velocidade. Quando o columbófilo olha para o horizonte já não os deve ver. Se estes desaparecerem durante um longo período e começarem a aparecer em pequenos grupos, com aspecto cansado e asas pendentes, podem dormir descansados que o próximo concurso será como um sonho… um bom sonho. Torna-se pois evidente porque razão sou contra o uso de bandeira para os obrigar a manterem-se no ar. Se necessitarem dela, é porque existe algum problema. Ao forçarmos pombos doentes a voar, só estamos a piorar a situação.
Regra Oito: Em relação a bons pombos, o que conta são os resultados e não a propaganda. Mas os resultados têm que ser correctamente analisados… a) em primeiro lugar quantos pombos encesta a cada concurso o columbófilo em questão? Marcar dez prémios parece bom. Mas se o columbófilo encestou 100, nesse caso o número de prémios não é lá grande coisa. Um outro columbófilo será muito melhor se marcou três prémios de três encestados. b) A qualidade dos columbófilos em competição também é de extrema importância. Um primeiro prémio ou uma boa série de marcações não me dizem nada. Quero saber mais. “Diga-me o nome dos seus adversários, e eu dir-lhe-ei se os seus pombos são bons ou não”.
Regra Nove: Alguns pombos têm tantos pontos fracos que facilmente podemos dizer que nunca será um bom voador, no entanto o contrário nem sempre é fácil de detectar. Ninguém, mas mesmo ninguém, poderá dizer com 100% de segurança que este ou aquele pombo é bom voador. Esta é a razão pela qual os columbófilos espertos nunca dizem que “este é um bom pombo”, dizem sempre “este é um pombo bonito”, o que não quer dizer a mesma coisa! Ser “bonito” não quer dizer que seja “bom”, a este respeito podemos dizer que pombos e mulheres não diferem muito.
Regra Dez: Infelizmente, a chamada “doença dos borrachos” (adeno-coli) tornou-se num problema mundial. Reduzirão significativamente as hipóteses do aparecimento desta enfermidade entre os borrachos se utilizarem sempre o mesmo lote de ração. Os borrachos ficarão muito mais vulneráveis se mudarem constantemente o lote de ração, aliás como procedem muitos columbófilos. Dar dieta no início da semana e depois ração mais pesada, é muito arriscado porque temos esta nova doença. Parece que a mudança do tipo de ração é demasiado pesado para os intestinos dos borrachos.
10 ERROS COMETIDOS PELOS NÃO CAMPEÕES
Muitos campeões trocam ideias e experiências e os não campeões fazem o mesmo. A razão pela qual nunca chegarão a ser campeões é que estes cometem erros (todos o fazemos), mas o factor decisivo é que como não sabem que os estão a cometer, continuam a proceder sempre da mesma forma.
Erro Um: Nunca será demais lembrar que é um grande erro atribuir demasiada importância aos pedigrees, aos nomes sonantes e à raça. Esta importância já provocou muitas desilusões.
Erro Dois: Os não campeões costumam fazer coisas nos momentos errados. Utilizam medicamentos demasiado cedo, ou demasiado tarde. Utilizam medicamentos quando os pombos começam a voar mal, mas esquecem-se que não estar em forma não quer dizer que estejam doentes. Tratar pombos contra doenças que não existem só resulta num enfraquecimento do seu estado físico, ou então só usam medicamentos quando os pombos já estão praticamente mortos.
Erro Três: Os não campeões não têm confiança. Mudam de métodos uma e outra vez. Existem alguns bons sistemas e alguns maus sistemas. Mas o pior de todos eles é andar a mudar constantemente.
Erro Quatro: Principalmente para o jogo com pombos novos é de extrema importância ter um bom relacionamento com os atletas. Quando um não campeão entra no seu pombal, os pombos parece que viram um fantasma, voam como malucos a tentar fugir, sinal que não confiam no seu tratador. Quando um campeão está no pombal, os pombos não se preocupam, agem como se estivessem sozinhos, no entanto, embora não parecendo, o campeão tem a colónia perfeitamente controlada. Ele é o general, os pombos são os soldados, e os bons soldados são disciplinados. Os campeões brincam com os seus pombos, enquanto que os pombos brincam com os não campeões.
Erro Cinco: Os não campeões procuram os melhores produtos para curar os seus pombos. Os campeões tentam evitar que os seus pombos fiquem doentes e preocupam-se em ter um pombal confortável para os pombos. Nos bebedouros dos campeões a água é quase sempre incolor, enquanto na dos não campeões é quase sempre colorida. Os não campeões não eliminam um pombo doente com facilidade, conservam-no demasiado tempo. Pelo contrário, os campeões não perdem muito tempo com compaixões - têm mãos de ferro em luvas de seda.
Erro Seis: É errado, principalmente com pombos novos, alimentar com ração muito grossa, ou seja, muita proteína (ervilhas). As ervilhas são boas para os borrachos de ninho que ainda têm muito que crescer. Para pombos de ano são autêntico veneno.
Erro Sete: A maioria dos não campeões são ingénuos. Quando acasalam os pombos não se apercebem da importância da sorte no procedimento. Pensam que se acasalarem um bom macho com uma boa fêmea, ou a sua irmã, nascerão automaticamente super voadores. No entanto, isto não é assim tão simples.
Erro Oito: Os não campeões deixam-se influenciar pela propaganda e pela imprensa. Os campeões são mais realistas.
Erro Nove: No pombal de reprodutores dos não campeões encontramos reprodutores já velhos que nunca deram bons filhos. Pergunto-me sempre o que fazem lá esses pombos.
Erro Dez: O pombo moderno tem tendência a ser cada vez mais pequeno. Alguns pensam que pombos grandes são mais fortes, o que é errado. São precisamente os mais pequenos que melhor enfrentam as más condições atmosféricas e as maiores distâncias.
COMO CONCLUSÃO
É um prazer enorme ter bons pombos. É aliás esta a principal razão que leva alguns columbófilos a pagarem bom dinheiro por eles. Devo dizer que os meus pombos já ganharam tudo o que havia para ganhar. Este facto levou-me a criar uma regra que nunca violei, ou seja não faço apostas em dinheiro, uma vez que os meus adversários pensam que não teriam hipótese de ganhar. Os meus resultados são a garantia da credibilidade que os meus artigos alcançaram em todo o mundo columbófilo.
© Ad Schaerlaeckens
SOBRE A SORTE, AS OFERTAS E O CONHECIMENTO DO POMBO-CORREIO
Mencionei o “613” do Klak, talvez o melhor pombo que passou pelo pombal desse conhecido columbófilo holandês.
Ele desejava vender o pai a que chamava de “Knook” (feio), mas ninguém o comprava. Klak manteve esse pombo no pombal já que a origem era boa e esse pombo transformou-se numa das coisas boas que passaram pelas suas mãos.
Na colónia Houben passou-se um caso semelhante.
Um filho dos seus mais famosos pombos, a que mais tarde chamaria “Young Artist”, foi posto à venda mas ninguém o comprou. Mais tarde, os descendentes desse pombo começaram a ser cobiçados por columbófilos de todo o mundo e pagaram-se fortunas pelos seus filhos.
Um exemplo de que nunca mais esqueço é o do pombo conhecido por “05”, de Vermeulen. Os columbófilos holandeses consideram o “05” e “Olieman” de vd Veken, possivelmente os melhores pombos de meio-fundo de todos os tempos.
E, então, porque será que não são conhecidos e famosos no estrangeiro?
Há muito tempo atrás a competição fazia-se mais a nível local. Nesses dias a imprensa especializada não era o que é hoje e os columbófilos raramente compravam pombos, fazia-se negócio em pequena escala.
Quanto ao “Olieman” , um dos seus descendentes famosos é o “Fieneke”, do Vervoort.
A origem
Vermeulen que criou o “05” era um homem rico que gastou uma fortuna em pombos.
Ao acasalar, num já longínquo inverno, Vermeulen juntou os machos mais caros com as fêmeas em que gastou mais dinheiro. No fim da operação ficaram dois pombos, um macho e uma fêmea, que entraram no pombal como oferta. Não havia outra hipótese senão a de acasalá-los… formou o casal que afinal seriam os pais do grande voador que foi o “05”.
Como já disse, Vermeulen conseguiu os pais do “05” sem gastar um cêntimo. Mas isso não quer dizer que a origem não fosse boa! É bem verdade de que o columbófilo necessita é de sorte, sem contudo ignorar a origem…
Pombos que têm pais, avós e bisavós que não são bons, certamente também não darão bons filhos. Pombos de boa origem com boa descendência, também podem dar maus filhos, mas tais pombos têm muitas hipóteses de dar bons.
Alguns columbófilos pensam que criar bons pombos é uma questão matemática. Estudam os pedigrees e formam os casais. Porque será que nem sempre um casal dá um super, mesmo um único?
Podem comparar os pombos com os humanos. Numa família pode haver três filhos que são bons em línguas, matemática ou música, por exemplo, mas o quarto filho não ter aptidão para esses talentos, embora tenha o mesmo pai, a mesma mãe, a mesma educação, etc.
Na Europa, o futebol e o ciclismo são os desportos mais populares. Michel Indurain foi um fantástico ciclista, quase imbatível no seu tempo não muito remoto. Esse ciclista tinha um irmão gémeo que era muito semelhante ao Michel no aspecto físico. Eram dois irmãos gémeos mesmo de difícil identificação. O irmão de Michel também queria ser um bom ciclista, trabalhando duro para atingir esse objectivo, apesar de - repito - ter os mesmos pais, a mesma educação, etc., mas em termos de talento eram muito diferentes.
Não é apenas a sorte
Certamente que para atingir determinado objectivo não é só a sorte que conta. Porque será que são quase sempre os mesmos columbófilos que fazem introdução de bons pombos?
Porque será que são sempre os mesmos columbófilos que mantêm um quadro de reprodutores com bons pombos?
Porque são inteligentes, sabem que precisam de sorte, mas procuram dar-lhe um forte empurrão…
Já falei várias vezes da sorte que tive com a “Sissi”. Nessa altura visitei, acompanhado de um columbófilo americano, a colónia onde estava essa fêmea. Esse columbófilo nunca tinha ouvido falar da “Sissi”.
Sugeri-lhe que comprasse a fêmea ou alguns descendentes, mas ele disse que possivelmente esses pombos não eram bons, o seu pensamento estava mais longe. Foi talvez por isso que essa fêmea foi parar ao meu pombal. Portanto, a “Sissi” não nasceu no meu pombal, nem criei o macho com quem estava acasalada.
Comprei esse macho - o “Mattens” - antes de ter a “Sissi”.
“Que sorte tiveste quando compraste o “Mattens”! Quantas vezes ouvi isso e quantas vezes senti o sabor da inveja e censura.
Certamente, tive sorte, mas era muito mais que a simples sorte.
“Mattens” transformou-se num reprodutor excelente, mas, por favor, não pensem que é propaganda para vender os seus filhos, porque cedi o pombo uns anos antes de se tornar infértil.
O estranho é que esse pombo só dava bons descendentes apenas com uma determinada fêmea.
Fiz a experiência com outras fêmeas durante 10 anos, mesmo com algumas super fêmeas, mas os filhos nunca se transformaram em pombos de qualidade superior.
Aqueles que viram o meu catálogo de reprodutores, já ficam a saber porque razão o “Mattens” só aparece acasalado com uma fêmea. Como consegui o “Mattens”? Mais adiante podem ler acerca dele.
1991
Em 1991 tivemos uma belo concurso nacional com solta na cidade francesa de Orléans. Mais de 200000 pombos foram soltos e segundo os cálculos da Federação Holandesa tive o melhor resultado do país.
Ganhei o 2º, 3º, 4º , 5º, 6º, 7º, 9º, 10º, 11º, 12º, 15º. Nada mau!!! Em termos nacionais ganhei o 4º e 5º e quando entraram no pombal os meus 10 primeiros, nenhum columbófilo holandês tinha constatado 10 pombos.
Admito que, nessa prova, fui favorecido pela localização do meu pombal. Vivo a leste do país, as soltas fazem-se a sul e o vento soprava do noroeste. Os que vivem a oeste, perto do mar, estavam realmente mal localizados já que o vento empurrou os pombos para o interior do país, o que foi bom para os columbófilos que estão localizados na minha área. As melhores constatações foram de columbófilos dessa zona, mas para minha surpresa, junto aos melhores, vi o nome de um columbófilo que vivia junto ao mar. O seu pombo voou sozinho em condições adversas, fugiu à grande massa de atletas que seguiam para leste, enfrentando o vento desfavorável. Na verdade, esse pombo fez melhor trabalho que os meus.
Foi a razão porque peguei no telefone e falei com esse columbófilo desconhecido que se chamava “Mattens”.
Mattens
Mais tarde, os columbófilos queriam saber o que estava por detrás do nome “Mattens”. Entre eles o americano Mike Ganus que concursava com de pombos origem “Mattens”, os quais, segundo ele, estavam a destruir as suas raças.
“Mattens” é o nome de um columbófilo, dizia eu, disse-o muitas vezes. Todos encolhiam os ombros. Mattens? Quem é? Ficavam admirados!
Mas voltemos ao assunto que nos interessa.
Perguntei a Mattens se podia comprar pombos da sua colónia, porque tinha alguns amigos japoneses que queriam pombos de boa qualidade provenientes de columbófilos não muito conhecidos.
“Pode ficar com todos os meus pombos”, disse-me Mattens. Dirigi-me quase de imediato ao pombal de Achiel Mattens, que me disse estar na disposição de abandonar o hobby, visto o seu filho ir dedicar-se ao ciclismo ou ao futebol, não me lembro.
Negociamos todos os pombos acima do preço proposto e depressa fechamos o negócio. Todos os pombos iam ser transferidos para o japonês Masuda.
Entre todos os pombos vi um borracho de alguns meses de idade.
Como já o disse muitas vezes, o melhor é comprar pombos novos para valorizar uma colónia. Os próprios vendedores não sabem se o valor desses pombos é alto ou baixo. Especialmente os borrachos nascidos no verão são os melhores para comprar. Os columbófilos do norte da Europa não precisam deles para voar, nem os treinam. Por isso, se há um columbófilo que faz criação no verão é desse que se deve comprar, na maioria dos casos encontramos o melhor. Geralmente esses columbófilos criam para vender ou para os transferir para a reprodução.
Criação de verão
“Que me diz sobre este pombo tardio?” perguntei a Mattens.
“Guarde este pombo para si. É filho dos meus melhores pombos”, disse Mattens.
Não sabia o que devia fazer.
O japonês não ficaria satisfeito e eu não teria melhores pombos do que Mattens?
No entanto, decidi fazer a experiência e no ano seguinte esse pombo ficou junto aos meus reprodutores. Não tinha fêmea para ele, mas isso não seria problema, pensei.
Tinha acasalado todos os meus melhores pombos e porque teria eu de acasalar um pombo que me era desconhecido? No entanto, no pombal havia outro pombo sem parceiro, um que recebi como presente, sim, a “Sissi”.
Um macho sem fêmea e uma fêmea sem macho? Naturalmente, acasalaram… Tinha sido pura coincidência. Falando honestamente, não gostei dos seus primeiros filhos, tal como se apresentavam e, por essa razão, eliminei-os. Tenho cometido muitos erros neste desporto e este foi um deles.
Mattens + Sissi formaram um casal que fez história na Holanda.
Inúmeros pombos super, vencedores de concursos provinciais, nacionais, Pombos Ás nacionais e provinciais e mesmo Pombos Olímpicos foram seus descendentes.
Recentemente tive conhecimento que na China, Mr. Fu, obteve resultados sensacionais com tardios desse casal.
Tal como disse “Mattens”, só me deu bons filhos quando acasalado com a “Sissi” e é engraçado que com a “Sissi” aconteceu o mesmo. Acasalei a “Sissi” com o meu “Fast Blue”, um macho de 1988 que era também um excelente reprodutor. O resultado é que perdi um ano.
Imaginem. “Fast Blue”, o meu melhor macho reprodutor casado com a “Sissi”, a minha melhor reprodutora só me deu “lixo”.
É assim o nosso desporto.
A lição As melhores hipóteses de obter bons pombos será quando se compram tardios… de boas origens.
E há também boas hipóteses quando se compram ou se recebem, como oferta, borrachos das primeiras posturas, sem terem voado.
Quando se vai às compras, devem ter a certeza que batem à porta de um homem sério. Mas ninguém pode garantir que os pombos que cede são campeões, mesmo que o columbófilo que cede os pombos diz que é do seu melhor.
É por isso que sempre disse: “não compreendo a razão porque o columbófilo observa os olhos dos pombos que quer comprar. Devia antes observar os olhos do columbófilo que vende os pombos”!
Finalmente
Quatro anos atrás um homem chamado Mattens telefonou-me.
Lembra-se de mim? Perguntou ele.
Certamente, lembro-me bem, pois nos meus pedigrees constam os nomes dos columbófilos da proveniência dos pombos. E diariamente os meus olhos encontram esse nome.
“Vou voltar a praticar a columbofilia”, disse ele. “Tem pombos para venda”?
“Para si, não” reagi. Quatro dias depois, pus-me a caminho de casa de Mattens com uma pequena caixa no carro. Nela estava um filho do “Mattens”, o “Creilman”, o melhor voador “Mattens” de todos os tempos.
“Este pombo é para si”, disse para Mattens. “É uma oferta”.
Dois anos atrás Mattens telefonou-me. “Ganhei um carro com um filho do seu “Creilman”, disse. “Esse pombo é um fantástico reprodutor”…
O melhor pombo que criei em 2002 é um filho da fêmea a que pus o nome de “067”, uma importação.
Estive na colónia de um columbófilo belga para comprar um irmão e uma irmã dum seu famoso pombo.
Paguei bom dinheiro pelos dois pombos, mas foi-me oferecido um terceiro: o “067”…
© Ad Schaerlaeckens
OS CAMPEÕES E O CÍRCULO COMPLETO
No Inverno, quando não há concursos, alguns campeões são convidados para esses seminários para falar sobre pombos.
Esses convidados explicam como chegaram ao êxito neste desporto e respondem a perguntas.
Os columbófilos apresentam variadas questões, em especial sobre os concursos de borrachos que os belgas e holandeses exploram tão intensamente.
Eu próprio, enquanto orador, também tenho aprendido algumas coisas com a audiência.
Diferente
Uma coisa que verifiquei foi que o interesse pela columbofilia difere de um país para outro.
Alemanha: Ao contrário dos columbófilos belgas e holandeses, os alemães dão grande valor às raças e aos medicamentos. Não conheço nenhum país do mundo que dê mais medicamentos aos pombos do que os alemães.
As vezes pergunto-me: “Quão fortes deverão ser esses pombos para sobreviverem a todos esses produtos que têm que engolir. Os alemães são suficientemente inteligentes para compreender que os medicamentos foram estudados para curar as doenças dos pombos e não para fazê-los voar mais depressa”.
Um facto importante a ser mencionado é que são os alemães que têm mais problemas para manter os pombos saudáveis, especialmente os pombos novos.
Não há nenhuma edição do jornal “Die Brieftaube” em que não apareça um artigo sobre as “doenças dos pombos novos”.
“Qual será a razão e que poderemos nós fazer?”. Perguntam os alemães.
Penso que os problemas que enfrentam são devidos ao abuso dos medicamentos durante muitos anos seguidos.
A imunidade dos pombos ficou minada.
Reino Unido: Um assunto favorito dos ingleses são os treinos. Quantas vezes? De que distâncias? Em que direcção?
Treino individual ou em grupo?
América: Na América é quase sempre a mesma cantiga: Os columbófilos falam acerca das raças e ainda da inevitável análise dos olhos. É incompreensível como os americanos acreditam tão fortemente em factos tão irrelevantes para os europeus. Os holandeses nem querem ouvir falar da teoria dos olhos.
Sobre artigos que apareceram na Internet emitidos por um columbófilo sobre o tema “acasalamento pelo olho”, um americano apresentou a sua opinião que era desfavorável. Opinião de ingleses juntaram-se à de outros americanos presentes nesse Fórum, mas as reacções dos belgas azedaram a controvérsia e o assunto ficou encerrado.
Holanda e Bélgica: O tema das raças praticamente nunca é abordado nos seminários ou conferências que se realizam na Holanda e na Bélgica. Na “Meca” do nosso desporto, os columbófilos quase unanimemente dizem que falar de “raças” é bom para quem negoceia em pombos, mas não são as raças que vencem os concursos.
Sobre o problema do Adeno-Coli, há cada vez mais colónias a preocupar-se com isso.
Neste artigo explicarei porque os pombais devem ser considerados tão importantes.
Círculo
Sempre disse que os campeões normalmente fazem tudo o que é necessário para atingir o êxito total. Diria que preenchem todo um “Círculo” que é a prática da columbofilia.
A qualidade dos pombos, medicamentos utilizados, treino, alimentação, motivação e pombais, fazem parte desse círculo.
Se um dos elementos desse círculo falha, o círculo está incompleto, não fica fechado.
Podem comparar este “círculo” a um cadeado em que cada um dos elos acima referidos deve estar ligado a um columbófilo arguto e decidido e este não pode ser o elo mais fraco desse conjunto.
Outra importante parte deste círculo é o pombal, que deve ser construído com muito cuidado. Há muita literatura sobre a matéria nos jornais e revistas da especialidade. Ao analisarem-se algumas entrevistas de columbófilos poderemos verificar a atenção que dão aos pombais.
O pombal foi, aliás, a razão que me fez decidir ser “escritor” na minha juventude. Os campeões pensam que o pombal é a base duma boa condição e todos sabemos quanto é importante a boa condição num pombo.
Ouço frequentemente columbófilos dizerem: “Antes quero ter um bom pombal com pombos de qualidade média do que um mau pombal povoado com pombos super”, o que me causou imensa curiosidade. Ao longo dos anos aprendi realmente que é melhor apostar em pombos em forma do que apostar em pombos super em má forma.
Alguns nunca deixam de comprar pombos procurando atingir o êxito rapidamente. É impossível que de entre todos os que compram não apareçam alguns bons, mas é certo que há columbófilos que apesar de comprarem muito, não conseguem fazer uma colónia estavelmente vencedora.
É importante que se siga este princípio: A qualidade torna-se irrelevante se os pombos estiverem instalados num pombal sem condições.
Podemos comparar a situação com o que se passa entre os humanos.
Se trabalharmos num local desconfortável, nada funciona bem.
Las Vegas
Certa vez estive num seminário em Las Vegas.
O meu avião aterrou durante a noite e a única coisa que esperava era encontrar frio. A temperatura é normalmente alta em Las Vegas, mas não na noite em que cheguei.
Nessa cidade visitei pombais e vi alguns pombos. Um dos meus hospedeiros desejou conhecer a minha opinião acerca dos pombos que me mostrou. Disse-lhe que não poderia ver se os pombos eram bons ou não, ninguém pode dizer isso, mas sobre a condição em que os pombos se encontravam já era outra história.
Se os pombos estão em boa condição física ou não qualquer columbófilo experiente vê num relance, e os pombos dele não estavam em forma.
Ele parece não ter compreendido… e disse: “Eu treino os pombos muitas vezes, dou-lhes a melhor ração, são analisados frequentemente por um veterinário e gastei muito dinheiro no pombal…”
No entanto, o problema era o pombal com uma frente larga aberta e uma espécie de grelha instalada nos fundos. Compreendi a razão da frente larga aberta devido ao calor que faz durante o dia, mas não se coaduna nada com o frio glacial com vento que encontrei na noite em que cheguei.
Os pombais que estão sujeitos a mudanças significativas das temperaturas do dia para a noite, afectam a condição dos pombos e os resultados no concurso que se realizou dias atrás, foi mau como era previsível. “A razão é que existe um problema tal como outros que vivem em Las Vegas”, disse eu. Ele olhou para mim, perguntando. “Um problema de pombal?”.
Ele nunca tinha ouvido dizer mal do seu pombal.
Quando me disse que tinha bons pombos, bons medicamentos e bons treinos, falei-lhe acerca do círculo.
Outra visita
Estive também na China e em Taiwan. Não para um seminário, mas sim para ver in loco o tipo de columbofilia que praticam.
Fiquei impressionado com a hospitalidade dos meus hospedeiros e a gentileza do povo.
A beleza de Taiwan foi uma surpresa, não há só poluição, como me disseram.
Os meus olhos ficaram esbugalhados quando vi o tráfego. Nunca vi tal confusão tanto na China como em Taiwan, contudo poucos acidentes acontecem.
A polícia não é amigável, mas senti-me seguro, mesmo nas grandes cidades. Na Holanda, a polícia é amigável, todavia nas grandes cidades não nos sentimos seguros.
Uma visita a casa da senhora Soong Ching Ling, em Beying, foi uma experiência única, incluindo o constatar o grande amor que esta excepcional senhora dedica aos pombos.
Embora não estivesse em qualquer seminário, falei com columbófilos e vi alguns pombais. Como o clima em Taiwan difere muito do da China, esperava diferentes tipos de pombais pelas razões que descrevi, mas para minha surpresa não foi o caso.
O Ocidente e o Oriente
Soube que Lai e Lai são dois grandes campeões em Taiwan.
Fui um privilegiado por conhecer esses campeões, mas infelizmente não houve possibilidade de comunicação devido à barreira da linguagem. Não vi os pombos nem os pombais, mas posso dizer o seguinte:
a) Devem ter melhores pombos que os outros columbófilos;
b) Devem ser bons condutores de pombos, e…;
c) Os seus pombos devem estar instalados em melhores pombais que os competidores.
Estas são as características de qualquer campeão, viva onde quer que seja.
Como o clima influencia o ambiente no pombal, dizer um bom pombal na Holanda ou na China, quer dizer que está adaptado ao respectivo clima. Mas um pombo é um pombo que necessita de viver num bom ambiente para atingir a boa condição, a forma, em qualquer lugar do mundo.
Alguns columbófilos dizem mesmo que os vencedores não são aqueles que têm os melhores pombos, mas sim aqueles que têm os melhores pombais. Pode ser um pouco exagerado, mas há muita verdade nisto.
Tive conhecimento de que ao contrário de alguns campeões europeus, os chineses e japoneses não têm nos pombais sistemas que possam compensar as mudanças climatéricas.
Quando está vento ou frio na Europa, os columbófilos podem fechar as entradas de vento. Se está calor podem abrir os pombais ou ventilá-los.
Accionam os sistemas quando a humidade é muito alta.
Resumindo, fazem tudo o que é possível para não expor os pombos a influências desfavoráveis vindas do exterior para não fazer descer a sua condição.
Complicado
O interior e os materiais utilizados na construção dos pombais devem ser cuidadosamente escolhidos.
Grande parte dos pombais são construídos em madeira em quase todos os países; madeira é um bom material, mas não serve uma qualquer.
A madeira dura, que até custa espetar um prego, é bonita e até dá para fazer uma bola de hóquei, mas não é com este tipo de madeira que se deve construir um pombal.
Na madeira que não absorve a humidade, aparecem pequenas gotas de água devido às humidades de inverno.
Querem saber porque os Irmãos Janssen nunca pintavam o seu pombal? Porque a tinta impermeabializa a madeira, passando esta a ser menos absorvente.
Eis algumas características dum bom pombal:
• Deve ser seco, mas não muito seco. Quando o grau de humidade desce a menos de 60, podem crer que os pombos ficarão com problemas respiratórios.
• Não deve ser quente, nunca muito quente;
• Não deve ter correntes de ar, mas deve haver suficiente oxigénio;
• Não deve receber luz em excesso (é mau para os olhos);
• Estes conselhos devem ser aplicados para as duas fases do dia… noite e dia.
O problema que enfrentamos pode ocasionar controvérsias. Quando está vento, fecha-se o pombal, não há ventilação e pode acontecer uma insuficiência de oxigénio. Quando está quente convém abrir a ventilação. Encontrar o equilíbrio é da responsabilidade do columbófilo.
A imprensa também tem uma parte da responsabilidade, pois deve alertar para estas situações.
Queremos um desporto leal e sério?
Um desporto só é leal e sério se todas as circunstâncias forem iguais para todos os participantes. Campeões que convidam outros para verem os seus pombais e os seus pombos, pode ser um bom exemplo.
Já mencionei também a importância do interior dos pombais.
Muitos pombais têm um aspecto bonito. Poleiros e ninhos muito limpinhos… mas no que diz respeito a pombos, são de boa qualidade?
Os pombos gostam de um canto escuro para fazer o ninho.
Lembrem-se que o actual pombo-correio descende de aves que viviam em buracos nas rochas.
Os pombos têm que ter sítio disponível para pousar ou para encontrar um lugar.
Num pombal deve haver mais poleiros que pombos. 40 poleiros em cada divisão com um pombo em cada poleiro, é bonito, mas não é aconselhável.
Na Europa há muitos borrachos que se perdem.
Há columbófilos que pensam que os borrachos que se perdem não “têm cabeça”, não são inteligentes, mas não é assim.
Muitos borrachos não regressam ao pombal porque não se sentem bem nele. Há um exemplo dum borracho dum meu amigo que vive a cinco quilómetros a sul de minha casa. Entrou no meu pombal quando tinha cerca de dois meses de idade. Larguei-o a 40 kms a sul. Supunha que ele passaria pelo pombal do meu amigo e entrava, mas não, voltou ao meu. Regressando ao meu pombal, este borracho de dois meses, sem treinos e fazer 40 kms parece-me ser um pombo inteligente… Qual a razão de não regressar ao pombal onde nasceu? Talvez não se sentia confortável no seu! Parece-me que ter bons pombos, dar boa alimentação, bons medicamentos e treino adequado, mas pombais de construção deficiente, excesso de lotação, leva-nos a um círculo que não é total, é imperfeito. O pombal deve ser a primeira preocupação do columbófilo.
É verdade, aconteceu
Um dos grandes campeões de todos os tempos foi o dr. Linssen.
Como era um cioso amigo de Klak, conseguiu ter borrachos dos melhores pombos de Klak e colocou-os num pombal que tinha todos os ingredientes para ser bom. Contudo não conseguiu ganhar um prémio decente com esses pombos.
O veterinário que foi consultado concluiu que os pombos não estavam doentes, mas também não estavam em forma. “Alguma coisa deve estar errado no pombal”, disse-lhe Klak.
O dr. Linssen decidiu então fazer uma nova experiência e mudou o pombal para cerca de 30 metros mais longe, com as frentes viradas para outra direcção e onde não havia árvores. A forma dos pombos mudou radicalmente. Os pombos começaram a dar boas provas como voadores e o dr. Linssen foi um grande campeão.
O pombal era o mesmo, mas a sua colocação e o que o envolvia, eram melhores para o efeito.
Apenas um facto - a localização do pombal - completou o círculo.
Um bom tema para reflexão.
© Ad Schaerlaeckens
COMO CRIAR BONS POMBOS?
Escrevo para muitos jornais e revistas e posso afirmar que é difícil escrever quando os destinatários ou leitores estão localizados em países longínquos como os da América do Norte do Sul ou países do Extremo Oriente.
Escrever para leitores holandeses ou mesmo de países vizinhos não será um problema escolher os temas porque conheço o que lhes interessa. Escrever para o outro lado do mundo onde o nosso desporto é tão diferente, é uma outra história. E é por isso que, naqueles casos, peço sempre ajuda a quem está perto dos problemas.
Um tema comum a todas as regiões do mundo parece ser o de “Como criar bons pombos”. Aliás, foi esse o tema sugerido pelo meu amigo David. Por momentos pensei “Que estúpida pergunta”, mas foi por curto lapso de tempo. Quando era estudante, o meu professor costumava dizer: “Não há perguntas estúpidas, o que há são respostas estúpidas”. E de facto quanto mais pensava na pergunta, mais sensata me parecia. É que esta leva-nos a pensar o quanto é importante apostar na qualidade dos pombos. Muitos columbófilos (não os campeões, penso), procuram o êxito por caminhos errados. Acreditam bastante nos medicamentos, nos segredos, no “frasco mágico” ou no “pó amarelo”.
Presumo que isto acontece em todos os lugares do mundo, no meu país, inclusive. Reconheço que muitos dos meus amigos columbófilos procuram os melhores medicamentos, as melhores vitaminas e o apoio dos melhores veterinários ao longo de toda a sua carreira, mas eu sempre fui à procura dos melhores pombos. Certamente que para encontrar bons pombos é preciso um pouco de sorte. Mas que percentagem de sorte é necessária para conseguir ases? Lembremo-nos do que acontece por todo o lado… enquanto há columbófilos que de vez em quando encontram um bom pombo ou um bom casal, há muitos outros que não conseguem criar um pombo “decente” durante toda uma vida…
Sorte
A sorte é um factor importante, e até posso dar-vos um exemplo, um facto que aconteceu recentemente. Co Verbree, um dos melhores columbófilos da Europa, esteve no meu pombal e comprou dois netos da minha “Sissi”. A “Sissi” foi uma reprodutora extraordinária, não foi?, disse ele, “talvez uma das melhores de sempre”. Pensei que essa afirmação era exageradamente lisonjeira. “Sim, foi uma boa fêmea”, concordei, “mas, mesmo assim, é preciso um pouco de sorte para obter bons filhos”, disse eu. Muitos dos seus descendentes foram realmente grandes voadores, mas nem todos. Com os pombos que compras tens uma boa oportunidade para conseguires bons filhos, nada mais do que isso. Não posso garantir que os pombos saiam bons, embora muitos filhos e netos tenham saído bons, não posso garantir que entre esses esteja um “super pombo”. É tão simples como isso. Para quem fala assim, a reacção de Verbree foi imediata: “Sabes que eu tive o melhor Pombo Sport Absoluto na Olimpíada da África do Sul?”. Sim, sei.
Verbree: “No ano em que criei esse Pombo Ás, criei mais cinco borrachos do mesmo casal. Todos foram bons, suponho que excelentes. No ano seguinte voltei a criar borrachos do mesmo casal. Tirei 10 borrachos porque esperava muito deles. E sabes os resultados? Nenhum desses 10 borrachos saíram bons. Antes pelo contrário, foram mesmo maus. Imaginas o que foi isso para mim?” Sim, imagino, porque coisas semelhantes acontecem muitas vezes. Mas Verbree tinha mais coisas importantes para dizer: “Um columbófilo americano comprou o meu Pombo Olímpico por um preço incrível e digo-te a verdade. Apesar dos seus sensacionais resultados, esse pombo nunca deu um bom filho. Falando honestamente, até foi por isso que o vendi. No entanto, um dos seus irmãos, que não era um bom voador, mas um dos meus melhores reprodutores. Por isso, parece-me que fiz um bom negócio: vendi o voador que era um fraco reprodutor e guardei o seu irmão que era um bom reprodutor”.
Casal de Ouro
Conheço alguns columbófilos japoneses que só sabem duas palavras em inglês. Não podemos censurá-los por isso, eles têm outras boas qualidades que não falar o inglês. Essas duas palavras são: “Golden Couple” (Casal de Ouro). Mas eles querem só casais que dêem pombos super? Esses Casais de Ouro só existem na cabeça dos autênticos sonhadores. Porque será que actualmente, na Europa, os campeões criam mais borrachos do que no passado? O motivo principal é que começam a compreender que também é preciso sorte para obter um pombo campeão! Como já disse, não é só a sorte a responsável pela criação de um craque. Para justificar esta afirmação, conto-vos a história dum campeão belga. Normalmente gosto de mencionar os nomes nos meus artigos para dar mais credibilidade ao que transmito aos meus leitores. Neste caso prefiro não o fazer porque poderia ferir a sua reputação. Deus não criou o Homem para ofender um ser igual.
Exemplo
Normalmente, um columbófilo sério deseja introduzir um ou outro pombo para cruzar com os seus, isto para lhes dar mais vitalidade. Para optimizar as hipóteses de êxito nos cruzamentos é muito importante que se esteja atento às deficiências que vão aparecendo nos pombos da colónia. Assim, falámos desse columbófilo belga, um campeão de velocidade, que começou a preocupar-se com questões como estas: “Porque será que os meus resultados não são bons quando encesto pombos na longa distância? - Será uma questão de falha física e se é, qual será? Haverá a possibilidade de encontrar uma solução, por exemplo, um cruzamento bem feito? Como não posso ver se é um bom pombo (ninguém é capaz de dize-lo), isto é, só posso dizer as falhas que o pombo tem cometido. Eu vi e analisei os seus pombos. Bons na mão e bons músculos, mas para minha surpresa um factor errado aparecia em todos os pombos: As últimas rémiges da asa activa demonstravam falta de flexibilidade. Ele parece ter ficado surpreendido e não compreender quando lhe apontei dois ou três pombos que tinham as suas últimas rémiges partidas. Ele encolheu os ombros e disse: “E então? Foi apenas um acidente que pode acontecer a qualquer pombo”.
Pode ser, disse eu, mas não tão facilmente aos bons pombos. Para testar a flexibilidade poderemos tentar curvar as últimas rémiges entre o nosso polegar e o indicador sem que as rémiges se partam.
A flexibilidade destas rémiges é um factor importante e absoluto para que as aves “tenham asa” para as longas distâncias. É importante prestar atenção às asas do pombo antes de o mandar para um concurso duro com largas horas de voo. Verificar a flexibilidade das últimas rémiges. E se essas penas se apresentarem duras e não curvarem? Então, nessa situação, o pombo está em má situação para voar com facilidade porque as rémiges estão muito duras. O pombo depressa se fatigará, mais do que aqueles que possuem rémiges flexíveis.
O campeão belga compreendeu a mensagem e o que decidiu foi introduzir pombos com penas flexíveis que cruzou com os seus próprios pombos e só dois anos mais tarde é que conseguiu pombos que voassem bem também na longa distância.
Por isso, não é demais se repetirmos quão importante é conhecer os pontos fracos dos próprios pombos. Só conhecendo-os bem é que poderemos fazer algo para melhorar a qualidade da colónia.
Um erro que muitos columbófilos cometem é introduzir pombos com os mesmos pontos fracos dos seus próprios pombos. Esse erro pode levar inevitavelmente à destruição da colónia.
Muitos Pombos Ás são tirados de cruzamentos
Há columbófilos do Oriente e da América que gostam de pombos da mesma família, isto é consanguíneos. Essa ideia não é má se tais pombos forem utilizados para a criação e não para competição. E sabemos que uma boa parte dos pombos super, holandeses e belgas, são produtos de cruzamentos. Nos anos 80, tinha o meu “Good Yearling” e pombos a ele aparentados. Desejava manter essa linha pura. Agora também tenho bons pombos dessa linha e para minha surpresa alguns columbófilos que compraram dessa família estão a conseguir criar melhores pombos do que eu fizera até aqui. Fizeram isso no momento certo, compreendo agora. Cruzaram os meus pombos consanguíneos com os seus próprios pombos. É por isso que agora faço como eles fizeram, não mantenho pura por muito tempo uma família de pombos, cruzo-a com os meus consanguíneos.
Um exemplo: a minha “Sister Good Yearling” ao contrário do seu irmão foi uma má voadora e também uma má reprodutora, pelo menos é o que penso.
A partir da data em que lhe dei um novo macho de diferente sangue, o primeiro borracho do novo casal ganhou o 1º nacional de Orleans (1985). Infelizmente, essa fêmea já tinha idade avançada quando a juntei ao outro macho e consegui um cruzamento feliz. Casos como este acontecem a muita gente. Quando os filhos começam a demonstrar serem bons voadores e a ter certezas de ter conseguido um bom casal, por vezes, já um dos pais foi vendido, morreu ou está muito velho.
Errado
Quando um columbófilo deseja comprar um ou mais pombos, é quase sempre a mesma história. Digamos que quer comprar seis pombos e geralmente devem ser três machos e três fêmeas, o que faz três casais.
Aprendi que esta não é a melhor forma de fazer as coisas. Se introduzo pombos, acasalo-os com o melhor que tenho, portanto, com pombos que já provaram ter potencialidades para dar bons borrachos. É a mais rápida e fácil maneira de ser bem sucedido do que acasalar machos comprados com fêmeas compradas.
Se acasalarem um pombo introduzido com uma boa fêmea da colónia, boa reprodutora, por exemplo, as possibilidades de êxito serão sempre maiores.
Aspecto exterior
Que dizer do aspecto exterior dos pombos? Em primeiro lugar devem possuir penas sedosas. Ter atenção aos pombos grandes. O pombo moderno é do tipo mais pequeno do que o de há umas décadas atrás. Devem demonstrar um bom equilíbrio (caírem bem na mão) tal como dizem os columbófilos mais experientes e devem ficar um pouco inclinados para a frente quando se pega neles. De grande importância é o pombo possuir também um esqueleto forte. Um dos testes que podemos fazer é pressionar um pouco o externo (o extremo do corpo do pombo). Se o pombo fizer um pouco de barulho (roncar) é um mau indício.
Estas qualidades são as mais importantes num pombo, a que devemos prestar mais atenção. Mas aqui temos um problema: O simples facto de um pombo possuir estas qualidades não quer dizer que seja um bom pombo. Há pombos maus que também possuem penas sedosas, um bom equilíbrio e um esqueleto forte. Contudo se um pombo não possui essas qualidades, será certamente um mau pombo. Um filósofo disse uma vez: “Todas as vacas são animais, mas todos os animais não são vacas”.
Mais exemplos
Muitos campeões têm duas, três ou quatro boas raças de pombos. Normalmente, os seus “Pombos Ás” são filhos de cruzamentos entre essas raças. Como já são campeões não costumam introduzir muitos pombos, se o fazem, introduzem poucos, nalguns casos nunca mais de um ou dois por ano. Nesta última década criou-se o hábito de não comprarem os pombos, fazem trocas entre si. Casos como a Família Houben e Verbruggen. Trocam apenas um pombo. Os pombos que recebem geralmente são cruzados com os da sua própria linha e essa estratégia tem resultado numa explosão de super pombos nas duas colónias envolvidas. O mesmo aconteceu nas colónias Engels e Van Hove Uytterhoeven. Ambos já conseguiram bons pombos, talvez melhores depois destes cruzamentos entre exemplares destas colónias.
Também bom
Em que campeões da Holanda e Bélgica se fazem trocas de casais todos os anos? Alguns (mesmo nos Irmãos Janssen) fazem trocas de casais durante o ano. Por qualquer misteriosa razão a qualidade dos borrachos baixa quando a mesma fêmea e o mesmo macho estão acasalados durante muito tempo. Eu próprio acasalo também os meus melhores machos com duas ou três diferentes fêmeas todos os anos. Logicamente que os pombos só são acasalados quando estão nas melhores condições para tal.
Há columbófilos que ficam admirados com a estratégia de trocar os casais no mesmo ano e, geralmente, os que são contra essa forma de proceder são os que durante vários anos não criam um pombo “decente”!
A explicação desse facto é provavelmente a forma e a qualidade dos pais. Um estudo já demonstrou que muitos dos bons pombos são tirados de pombos novos. Isto não quer dizer que casais de uma certa idade não possam dar bons filhos. O problema com os pombos velhos é a pobre qualidade da papa que administram aos filhos.
Este ano cometi um erro ao deixar que um macho de 1992 alimentasse os seus próprios filhos. Alguns não se desenvolveram suficientemente bem e acabei por sentir ter culpa dessa situação. O que deveria ter feito era ter passado os ovos a outro casal de pombos de ano, que alimentariam os borrachos logo após o nascimento. Mas cometer erros não é coisa de que nos devamos envergonhar. O único problema que existe é se não assumirmos o erro que cometemos e não procurarmos corrigi-lo no futuro.
O que distingue os perdedores dos vencedores é que, no segundo caso, os erros cometidos são cedo detectados e corrigidos a partir daí. Se cada um não sabe onde e porque falham os seus pombos, se os erros não são detectados, será difícil passar para um patamar columbófilo mais elevado.
© Ad Schaerlaeckens
O SEGREDO DOS CAMPEÕES
Na Holanda e Bélgica, normalmente a competição faz-se na razão de um prémio para cada quatro encestados. Isto quer dizer que em 1000 pombos numa prova haverá 250 prémios. Quando um columbófilo encesta 16 pombos pelo menos espera ganhar quatro prémios. Não é bom nem mau. Quando ganha oito prémios (50% dos encestados) isso é considerado como bom. Os (verdadeiros campeões?!), contudo, não ficam satisfeitos com este tipo de performances. 50% ainda não é bom para eles.
Temos a seguinte situação: Se um campeão encesta 16 pombos para um concurso e se ganha oito prémios não é bom para ele! Se um fraco concorrente encesta também 16 pombos e se ganha oito prémios, é uma grande proeza, já que quatro prémios já seria bom para ele! Se um outro encesta também 16 pombos e não ganha nenhum prémio nos primeiros 25% do encestamento total, onde estará o mal?
Parece mesmo um contra-senso. Haverá ainda quem tenha tão maus pombos? Acho que a falta de qualidade não poderá ser a razão. Esse columbófilo deve ter um problema e deve visitar um veterinário. Os seus pombos devem estar doentes e não será pouco.
A grande falha
Fraca qualidade ou saúde deficiente? É este o grande dilema de muitos columbófilos que não conseguem triunfar na columbofilia. No que diz respeito à qualidade dos pombos, já por diversas vezes escrevi e disse que ninguém no mundo pode ter certezas quanto à boa qualidade de um pombo! Não se pode ver isso nos olhos e nem mesmo os mais valiosos sangues e melhores raças fazem, necessariamente, de um pombo, uma ave de qualidade. Não podemos também explicar o contrário. Se não podemos dizer que determinado pombo é ou será bom, também não podemos dizer se determinado pombo é ou será mau.
Alguns, no entanto, podem ter tão má plumagem, ou uma tal estrutura óssea que, definitivamente, não podem ser bons. Se um columbófilo consegue ver se um pombo está mal, isso já é alguma coisa. Não será “apenas” alguma coisa! Penso que isso será a chave do êxito de muitos columbófilos. Sabem quais são os pombos que têm de ser eliminados!
“Uma boa selecção”!, dizem muitos campeões, “é o meu segredo”.
Toda a gente comete erros quando começa a seleccionar pombos, mas uma quarta parte dos campeões, digamos, comete menos erros do que os outros. No que diz respeito a uma única coisa - a saúde - nunca cometem erros. É quando a saúde, a saúde natural, é a base do critério da sua selecção. O columbófilo que se liberta das aves que não estão em boa condição durante os 365 dias do ano, raramente cometerá desses erros.
Quando um columbófilo possui, digamos, 40 pombos e 38 gozam de boa saúde, não há razão para que os outros dois estejam doentes. Libertem-se deles! Certamente que não quererão tratar os 40 pombos para curar os outros dois.
Quando dois estudantes duma determinada turma têm uma dor de cabeça, certamente que o professor não dará uma aspirina a todos os estudantes!
O segredo
No desporto columbófilo muitos caminhos podem levar-nos ao êxito. Mas existe uma coisa que os campeões têm em comum. Não têm pena das aves que não se mantêm em permanente boa saúde ou que, constantemente, necessitam de medicamentos para se manterem em boa forma física.
Aqueles que exageram na aplicação de medicamentos, concerteza não possuem pombos doentes, mas simplesmente insistem nessa área talvez para conseguir dessas aves a “super forma”! A sua saúde não é natural, é artificial. Isto também é importante quando decidimos introduzir pombos na nossa colónia. Fujam dos columbófilos que utilizam muitas drogas nos seus pombos.
Será melhor comprar pombos a columbófilos que não conheçam, nem utilizem muitos medicamentos. Nessas colónias encontraremos aves fortes com muito mais resistência natural às viroses, às bactérias e aos perigos que os esperam fora do pombal, por exemplo, nas caixas de transporte a caminho do local da solta para um concurso.
Muitos columbófilos perguntam: “Que posso dar aos pombos para os tornar mais saudáveis?”. É uma falsa questão. A pergunta deveria ser: “Que posso fazer para obter pombos resistentes, fortes por natureza, pombos com uma boa imunidade que não necessitem permanentemente de medicamentos?”.
A resposta é: a selecção. Devemos ser bons e pacientes para com os pombos, mas severos ao mesmo tempo! “Uma mão de ferro numa luva de veludo”. Para além disso, a selecção não pode começar muito tarde.
Efectivamente, a selecção deve começar a fazer-se quando o pombo ainda está no ovo!
Erros
No que concerne à selecção, cometem-se os seguintes erros:
Há muita gente que começa a pensar desde muito cedo que determinado pombo será muito bom. O mesmo pombo, para um campeão, poderá ser considerado apenas como um pombo de média qualidade, e pode seguir para o pombal dos reprodutores se estiver na colónia de um columbófilo de média categoria.
Outros conservam pombos como reprodutores, onde não deveriam ter lugar. Por exemplo, pombos com a idade de quatro anos que nunca reproduziram um bom voador. Esse tipo de pombos está lá devido à sua origem ou porque o seu preço foi elevado. No que respeita aos pombos de competição, é a mesma história. Um pombo de dois anos raramente faz melhor o seu trabalho quando se vai tornando mais velho. É por isso que à idade de dois anos, o pombo deve mostrar todas as suas qualidades, caso contrário terá de analisar-se a situação e dar-lhe o caminho mais conveniente. É por essa razão que os maiores campeões da Europa viajam com tantos pombos de ano.
Pombos jovens
A competição era muito diferente há algumas décadas atrás. Se analisarmos as folhas das classificações da Bélgica e Holanda e as compararmos com as destes últimos anos, verificamos as diferenças de idade dos vencedores e primeiros lugares dos concursos. Agora aparecem com mais frequência no topo das classificações, pombos de um ou dois anos de idade. Só para concursos com dois dias de viagem, por exemplo Pau e Barcelona, será diferente. No passado, um pombo que estivesse doente, perdia-se. Simplesmente, não havia medicamentos adequados e, normalmente, pouco se utilizavam. Depois começaram a utilizar-se os tratamentos para tudo e podemos dizer que, uma quarta parte dos columbófilos, já tem problemas de todas as espécies no seu pombal. A medicação contínua durante anos torna os pombos mais fracos.
Muitos columbófilos ainda não compreenderam que a medicina desenvolveu-se muito na questão da cura das doenças. Procuravam refúgio na medicina quando os resultados eram fracos porque suspeitavam que os campeões para serem bons teriam de estar medicados. É um conceito errado.
Os medicamentos não fazem boas colónias. Uma dura selecção baseada nos resultados, na saúde natural e na imunidade, fazem realmente uma boa e duradoura colónia.
Pombos mais novos
No passado, muitos campeões da Europa separavam os filhotes dos pais quando tinham quatro semanas de idade. Nos dias de hoje, já o fazem com três semanas de idade. Fazem-no por várias razões:
Alimentar os filhotes deve cansar demasiado os pais, especialmente quando já têm uma idade avançada. Separá-los dos pais mais cedo torna-os mais dóceis. Poucos pombos ficam marcados por esse modo de actuar e, quando ficam, é o columbófilo o responsável por não ter bons contactos com as aves. Agarra-as com muita impetuosidade: Mãos na cabeça, suave aproximação da ave e, repentinamente, agarrámo-la com força. Não esperam que tais pombos percam toda a confiança no tratador? Como se pode esperar que tais pombos entrem rápido no regresso dum concurso quando vêm quem os trata dessa maneira? Acreditem ou não, tais aves só entram se o tratador se esconder.
Há também o columbófilo que faz as coisas de maneira diferente: Os pombos entram mais rápido quando vêm o seu amigo, o tratador. Fazem as coisas como deve ser. É outra boa razão para separar os filhotes dos pais mais cedo e tem a ver com a selecção. O columbófilo começa a conhecer mais cedo quais são os borrachos mais fracos.
Pombos sem futuro
Quanto mais cedo se possa seleccionar os borrachos, melhor. Na verdade, a selecção pode começar quando os borrachos ainda não saíram do ovo. Alguns conselhos sobre a selecção:
1) Não acreditem em ovos com uma casca muito rugosa e dura. Se o borracho não morrer dentro do ovo, raramente será um borracho vital, mesmo se é filho dos melhores pombos da colónia. A casca do ovo deve ser brilhante, polida, tal como os pombos saudáveis. Deitem fora os ovos com casca rugosa e dura.
2) Quando estiverem a anilhar os borrachos (oito a dez dias de idade), verifiquem se algum deles tem as pernas mais finas do que outros borrachos da mesma idade. Tais pombos podem nunca mais vir a ser fortes, vitais e saudáveis. Podem também eliminar esse borracho. É um pombo que não tem futuro.
3) Atenção aos borrachos que estão sempre a piar na tigela. Pode ter como origem a tricomoníase e a medicação específica dará uma ajuda. Mas tal coisa nunca acontecerá a um bom columbófilo. Está sempre alerta em relação à tricomoníase e age preventivamente. Geralmente fala-se sobre borrachos que piam muito na tigela como sendo borrachos sem grande futuro.
4) Devemos também dar atenção aos borrachos que aparecem molhados na tigela. E aparecem molhados porque os pais bebem muito e a papa que dão aos filhos contém muita água. Pombos que bebem muito não se encontram em muito boas condições. Na maior parte das vezes são os órgãos digestivos que não estão a funcionar bem. O começo de vida com estes borrachos não é o melhor. Também é possível que os borrachos se deitem em cima das suas próprias fezes. E porquê? Porque não têm força para lançar as fezes para fora da tigela. Não são suficientemente fortes. Libertem-se destes borrachos.
5) Às vezes verifica-se que o crescimento das penas de cobertura na zona das escapulares está atrasado. Se compararmos com outros borrachos da mesma idade a plumagem está mais avançada, mais completa. Acompanhar com cuidado esses borrachos com a plumagem atrasada, porque esse facto demonstra falta de vitalidade e isso significa futuro incerto.
6) Após a separação dos pais, pode acontecer que os borrachos demorem a começar a comer. Pedem até a outros borrachos que lhes dêem de comer. Mais uma vez: borrachos fracos não devem permanecer no pombal.
7) É um bom hábito abrir o bico dos borrachos pelo menos uma vez. Pode acontecer que o bico esteja fraco e frágil. Esta anomalia demonstra uma fraca ossatura e um corpo fraco. Fora! O mesmo deve acontecer com os borrachos que têm uma grande abertura da garganta.
8) Já manuseei muitos dos melhores pombos da Holanda e Bélgica. Muito poucos desses pombos eram do tipo grande. E os grandes só brilham nas provas de velocidade. A hipótese dos pombos grandes serem bons nas longas distâncias é quase zero.
Não gosto de pombos de ano que estejam quase sempre no chão porque estão muito gordos e grandes demais para voar para os poleiros mais altos, enquanto que pombos da mesma idade estão sempre a querer voar. Columbófilos com pouca experiência pensam que os pombos grandes são os mais fortes para voar. Estão enganados. O pombo de competição moderno é, sem dúvida, mais pequeno.
Outro erro
É importante aprender com os próprios erros. Aconteceu-me há tempos ficar com um borracho que estava doente. A única razão: os pais eram realmente especiais. Nunca me tinha acontecido e esse pombo doente também não deu qualquer coisa de bom. Agora não hesito, a selecção para ser efectiva não deve ter excepções. Boa saúde é o principal atributo que um borracho e mesmo um adulto deve possuir.
Se o borracho não está de boa saúde, primeiro elimina-se e depois verifica-se pela anilha quem são os pais. Se primeiro se vê quem são os pais, talvez os nossos olhos de juiz sejam influenciados e sejamos persuadidos a deixá-lo viver.
Positivo
Do que gosto mais nos pombos de ano, para além da sua saúde natural, é o seu apego ao seu próprio território, apesar da sua tenra idade. Pombos que gosto de apanhar no escuro e que sei estarem sempre no mesmo poleiro, são normalmente bons pombos. Não gosto dos pombos que estejam pousados em lugares diferentes. Os pombos que não se sintam atraídos pelo seu próprio território e o defendam, raramente são bons atletas.
Conclusão
Pombos com um corpo perfeito, olhos bonitos, plumagem impecável e mesmo com um perfeito pedigrée, podem ser aves sem valor, não ganham nenhum prémio. Este facto faz com que uma boa selecção seja tão problemática.
O que é mais importante, o que faz com que um pombo seja bom, é o seu carácter, poder de orientação, inteligência, vitalidade, o apego ao seu território.
Por isso, alguns erros podem ser cometidos quando se faz a classificação e selecção. Um columbófilo que classifica e selecciona com base nos parâmetros da saúde nunca eliminará bons pombos. E, felizmente, não será assim muito difícil ver se um pombo está doente ou não.
Não pensem que os medicamentos fazem vencedores. Columbófilos célebres como Klak, Engels e muitos outros têm tido imenso êxito procedendo assim. Não são doutores, químicos, pelo contrário, pouco conhecem de medicamentos ou doenças. O que têm em comum é que eles compreendem o quanto é importante a selecção!
© Ad Schaerlaeckens
MELHORES POMBOS PARA TODOS
O columbófilo; O pombal; Alimentação e medicação; O pombo.
Alguns dizem… a qualidade dos pombos é o factor principal para que uma colónia seja competitiva, em seguida vem o pombal e finalmente o columbófilo.
Outros afirmam… um bom pombal é 50% responsável pelo sucesso, a qualidade dos pombos 20% e por aí adiante.
Pessoalmente sou de opinião que o papel do columbófilo é decisivo. Os campeões “têm a columbofilia nos dedos”, como se costuma dizer na Holanda.
O que eles querem dizer é que certas pessoas possuem uma capacidade especial que lhes permite entender e aprender com facilidade tudo o que rodeia o fenómeno pombo-correio, enquanto que outros, apesar das suas boas intenções, não são capazes de aprender e observar a colónia, apercebendo-se dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença.
Porque é que penso que o papel do columbófilo é decisivo? Um bom columbófilo assegura-se que o seu pombal é realmente bom. Um bom columbófilo tenta de forma constante arranjar melhores pombos que os que já possui. Um bom columbófilo sabe o que cada um dos seus pombos necessita, sabe também o que a colónia no seu todo necessita, ou seja tem tudo sob controlo.
Por outro lado, o pombal e os pombos não conseguem, por si sós, controlar o que quer que seja.
O pombal não consegue determinar a qualidade dos pombos que o habitam. Os pombos não conseguem melhorar as condições que o pombal lhes oferece.
O columbófilo é capaz de alterar todos estes pormenores a seu favor. Um bom columbófilo sabe o quanto é importante é qualidade dos pombos e sabe também quando e onde os ir buscar. Muitos columbófilos perguntam-me como é possível que certas pessoas importam pombos e são logo bem sucedidos, enquanto que outros por muito que tentem não passam da mediocridade.
Qual será então o melhor procedimento para conseguir bons pombos? É sobre isso que iremos falar hoje…
O COLUMBÓFILO
Todos sabemos que as raízes do nosso desporto se encontram em dois países, a Bélgica e a Holanda. Nestes dois países os columbófilos têm que enfrentar uma fortíssima competição e os seus métodos têm que estar bem delineados para terem hipótese de sucesso. Poderemos, pois, aprender muito com eles.
Vamos começar com um factor muito importante. A forma como aumentar a qualidade de uma família de pombos é algo que difere de colónia para colónia. Depende muito do tipo de columbófilo que você é… Dinheiro é ou não o problema?; Qual a vossa posição na columbofilia? Já é um campeão ou tem pretensões a sê-lo?
O RICO
As pessoas para quem o dinheiro não é problema, compram pombos de créditos firmados, ou então filhos destes. O dinheiro coloca-os numa posição privilegiada, ou seja proporcionam-lhes mais hipóteses de sucesso, mas nada mais do que isso! Estamos a falar de hipóteses e não de certezas. Graças a Deus que não têm 100% de certeza. Se assim não fosse, só os ricos é que seriam campeões. Com certeza que todos conhecem exemplos de columbófilos ricos que não conseguem sair da cepa torta. Estes compram os super pombos, mas isso, por si só, não consegue fazer uma super colónia.
Um bom exemplo disto mesmo aconteceu ainda recentemente na Holanda. Estou a falar de um columbófilo americano que gastou uma fortuna em Pombos Ás de nível provincial e nacional. Mas este homem queria mostrar resultados na Holanda e para tal construiu um pombal luxuoso e encheu-o do melhor que o dinheiro pode comprar. A sua ideia era voar com filhos das aquisições. No início, alguns columbófilos da colectividade onde o americano decidiu encestar os seus pombos estavam nervosos e com algum receio… “voar contra os filhos de todos aqueles Pombos Ás? Não será isso injusto?”, comentavam. Muitos deles sentiam-se derrotados, mesmo antes do início da Campanha. Finalmente, chegou o momento em que o americano começou a concursar o filhos dos seus craques que lhe tinham custado uma grande soma em dinheiro. Sabem o que aconteceu? Salvo raras excepções, os seus pombos quase que não iam ao mapa, foi literalmente esmagado pelos adversários. Os columbófilos que nunca tinham gasto um euro na compra de pombos humilhavam-no semana após semana.
A grande lição é que as pessoas com dinheiro podem comprar bons pombos, mas isso não faz deles vencedores.
OS CAMPEÕES
Para além dos ricos, existe ainda outro pequeno grupo de columbófilos que são especiais… aqueles que já são campeões. Um homem que já é campeão tem uma forma de actuar na aquisição de pombos que o distingue dos outros columbófilos. É frequente acontecer trocas de pombos com outros bons columbófilos, fruto dos contactos proporcionado pelo estatuto de campeão. Emprestam um macho ou uma fêmea boa por determinado período de tempo. Isto foi que aconteceu com Houben e Verbruggen. Trocaram apenas um pombo e os resultados foram extraordinários. A mesma história repetiu-se com Flor Engels e Van Hove Uytterhoeven. Ambos foram bem sucedidos com os empréstimos. Não houve dinheiro envolvido.
Por isso, para melhorarem a sua colónia, os campeões raramente recorrem à compra de pombos.
Sabemos também que a maioria dos columbófilos nem são ricos, nem são campeões. Qual será o melhor conselho a dar a este grupo maioritário quanto á aquisição de bons pombos? Dirigirem-se aos columbófilos famosos? Claro que não.
ERRO
Os columbófilos famosos podem ser divididos em dois grupos:
1) São pessoas famosas no estrangeiro pela única razão de serem comerciantes inteligentes. As suas performances nos concursos não são nada de especial, no entanto conhecem a importância dos pedigrees e sabem como manipular a imprensa.
Para admiração dos seus colegas de colectividade, vendem pombos como quem vende bolos quentes. Geralmente, são pombos com um pedigree fabuloso, mas nada mais do que isso. Os seus colegas interrogam-se… porque é que os seus clientes em vez de estudarem os pedigrees, não estudam os resultados nos concursos. Para este tipo de compradores os resultados parecem não ser importantes… apenas o que conta são os pedigrees e a raça. É usual dizer-se na Bélgica e Holanda que… “os compradores estrangeiros compram um pedaço de papel (pedigree) desses “zé ninguém” e recebem como oferta um pombo”.
Os columbófilos holandeses e belgas com o mínimo de bom senso já se aperceberam que os “homens pedigree” não são os homens certos a contactar quando se pretendem adquirir bons pombos. Mas, no início disse que existem dois tipos de columbófilos famosos.
2) O outro grupo são os columbófilos que merecem o seu nome. Estou a pensar em nomes do tipo Silvere Toye, Engels, Dobbelaere, De Vooght, Bolle, VD Wegen e muitos outros. Estes demonstram nos concursos a qualidade dos seus pombos. Não se tornaram famosos no estrangeiro manipulando a imprensa. O problema é que adquirir pombos destas colónias não é muito barato e como a procura é muita, os preços sobem em flecha. Por outras palavras… estes são os columbófilos certos para adquirir pombos, no caso de serem acessíveis às vossas bolsas. As boas notícias, no entanto, são que estes não são os únicos columbófilos a possuírem bons pombos.
CONSELHO 1
O primeiro conselho que posso dar a quem não tem muito dinheiro é… esqueçam os nomes famosos e a publicidade que aparece nos jornais. Na Bélgica e Holanda aparecem muitas reportagens de falsos campeões e claro que isso deve acontecer um pouco por todo o mundo.
O que o “columbófilo comum” deve fazer é tentar aproximar-se do campeão da área a que pertence, o tal que o bate semana após semana. E isto porque conhece os seus resultados e conhece que tipo de homem é. Este último pormenor é importante. Ser campeão columbófilo é uma coisa e ser honesto na venda de pombos é outra coisa completamente diferente.
Quando vejo potenciais compradores observarem os olhos dos pombos a minha reacção é… “não devem olhar os pombos nos olhos, mas sim o do columbófilo vendedor”.
Felizmente que a maioria das pessoas são honestas e os vigaristas a minoria. E se o columbófilo com bons pombos for esperto tratará bem o seu colega. E isto porque sabe que só será campeão enquanto houver os “perdedores” a enviar pombos. Se estes se cansarem de perder, abandonam o desporto e o campeão será como um rei sem reino. O nosso desporto é como qualquer outro… para haver vencedores tem que haver perdedores! É tão simples quanto isso.
Outras das razões para adquirir pombos nas redondezas é que o vendedor sabe que o irão ver frequentemente após consumado o negócio. Se os pombos não derem bons resultados, este será confrontado com o facto até ao final da sua vida, se calhar apenas pela troca de olhares.
CONSELHO 2
A altura da aquisição é também importante. A melhor altura para comprar borrachos na Bélgica e Holanda é no Verão e Outono. A razão está em que nestes países joga-se borrachos de Junho a Agosto e todos os columbófilos aproveitam os melhores para si. O que quer dizer que as duas primeiras posturas dos seus melhores pombos são para uso próprio, daí ser um erro comprar borrachos nos primeiros meses do ano, pois podem ter a certeza que em quase 100% dos casos não são dos melhores casais. Os Super Campeões que dizem vender borrachos dos seus melhores reprodutores em Fevereiro e Março são mas é verdadeiros Super Mentirosos! O meu conselho, volto a repetí-lo, é comprar tarde, digamos a partir de Julho. Por outro lado, os columbófilos que já possuem bons pombos devem comprar anualmente um número reduzido, caso contrário correm o risco de cair na tentação de apostar demasiado nas novas aquisições e negligenciarem as suas próprias linhas, aquelas que o levaram até ao top. No entanto, se a qualidade dos vossos pombos não passar da mediania, então sim podem e devem apostar num razoável número de aquisições no tal bom columbófilo da vossa área que conhecem na perfeição (resultados e personalidade). Podem crer que conheço muitos campeões que actuaram desta forma. Alguns deles atingiram mesmo o estatuto de vedetas internacionais…
a) William Geerts é uma delas. Esta vedeta internacional era vizinho de Fons Jacobs. Jacobs era um homem idoso, um columbófilo praticamente desconhecido, mas que marcava de cabeça na velocidade e meio-fundo. Geerts casou-se e mudou-se para Schilde, na mala levou um par de ovos do seu velho amigo, ovos esses comprados por uma bagatela, mas ele sabia o seu verdadeiro valor. Dois anos depois (1978) era o terror da Union Antwerpen. O nome de William Geerts espalhou-se internacionalmente como fogo batido por vento, no entanto do seu velho amigo Fons Jacobs aposto que nunca ouviram falar, apesar de esta ser a verdadeira origem do seu sucesso.
b) Muitos de vocês já ouviram falar no famoso “As” de Gommaire Verbruggen. Também devem saber que este o comprou por uma soma elevada a Maurice VD Veldenm, no entanto este último adquiriu os pais do craque a um columbófilo de 80 anos praticamente desconhecido.
c) Jan Grondelaers, um columbófilo extremamente esperto, apercebeu-se dos excelentes resultados de Gust Hofkens e comprou-lhe pombos na altura certa… ou seja quando este ainda era um desconhecido, mas muito bom e… muito barato. Podemos afirmar com certeza que foi a descendência dos pombos Hofkens que tornaram Grondelaers famoso. Quanto a Gust Hofkens, a fama dos seus pombos apenas apareceu um pouco antes da sua morte e subiu em flecha após a sua partida deste mundo.
E ENTÃO AS RAÇAS?
Os columbófilos que visitam os nomes famosos da Bélgica e Holanda, depressa se apercebem que sofreram uma lavagem ao cérebro durante demasiado tempo. Um facto fruto dos dias em que o poder estava nas mãos de poucas pessoas. No entanto, os tempos mudaram.
Por isso, caros columbófilos, se não tiverem muito dinheiro não é caso para desesperarem. Podem tornar-se campeões, da mesma forma que os ricos. É claro que é um pouco mais difícil, no entanto apenas têm que ser um pouco mais espertos, ou seja a astúcia deve compensar a falta de dinheiro.
Não pensem que o que acabo de dizer são só histórias, nada disso, conheço inúmeros campeões que seguiram o caminho descrito.
Para ganhar na columbofilia não é necessário ser-se novo.
Para ganhar na columbofilia não é necessário ser-se homem.
Para ganhar na columbofilia não é necessário ser-se atleta.
Para ganhar na columbofilia não é necessário ser-se cientista.
Para ganhar na columbofilia não é necessário ser-se rico.
Para ganhar na columbofilia devem manter os vossos olhos bem abertos e ter o feeling para pombos.
Não serão estes factos que tornam o nosso desporto em único e tão motivador?
Boa sorte!!!
© Ad Schaerlaeckens
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